Vivemos tempos diferentes, quer pela quantidade de informação que está imediatamente acessível, quer pela velocidade com que a mesma circula por todo o planeta. Temos assim, hoje, uma visão e, uma oportunidade de participação, muito mais global, o que nos permite ser verdadeiros cidadãos do mundo. Neste contexto de excesso de informação e de grande velocidade em que tudo acontece, ganha por vezes mais “aquilo que parece” e não tanto “aquilo que é”, isto é, a imagem parece ter um peso maior sobre o conteúdo.

Nestes tempos mais “fast”, os estudantes querem estar sempre “on”, receber muitos “likes”, como se de um prémio de um jogo se tratasse, acreditando que conseguem ser “multitasking” e que devem aprender com um “coach” controlando assim o próprio ritmo da aprendizagem. A pressão para a mudança é assim enorme nos educadores – pais, professores, …- e, naturalmente, para a própria estrutura de uma escola que continua a usar o modelo de ensino do início da Revolução Industrial.

A Educação tem um novo paradigma

É, pois, neste contexto de mudança de paradigma, que muitas escolas sentem a necessidade de mudar para o que muitos apelidam de “escola moderna”. Sendo verdade que a mudança tem de acontecer, a resposta à pressão nem sempre é a melhor por ser mais reativa e mais emotiva, resultando assim em soluções mais de imagem do que de conteúdo.

Em Educação, mudanças rápidas e disruptivas não resultam. Já o deveríamos saber! Tão simplesmente porque o nosso cérebro não está preparado para uma adaptação assim tão radical. Tão simplesmente porque é preciso tempo para formar os educadores nos novos princípios. Não há mudanças na Educação que passem exclusivamente pelos alunos. É através dos Educadores que se moderniza a Educação que todos querem e que todos sentimos ser importante.

Uma Matemática Moderna

Tal como no ensino da Matemática, mais moderna se quiserem, o importante não é tanto o resultado final, o produto, mas muito mais o próprio processo de raciocínio, isto é, o segredo está muito mais no “como” e não tanto no “o quê”. Neste novo século do cérebro, em que vários estudos mostram que seremos estudantes a vida toda, pela velocidade a que os desenvolvimentos acontecem, precisamos de Educadores excelentes na sua profissão para que possam ensinar como se aprende a vida toda. Educadores que nos mostrem como funciona a multiplicação, e não tanto qual o resultado de uma multiplicação; educadores que nos mostrem a reta que está atrás de uma equação; educadores que nos mostrem que calcular perímetros, áreas e volumes é tão simplesmente contar; educadores que nos ensinem a resolver problemas de uma forma mais estratégica, a fazer escolhas mas sabendo o que cada opção vale, a ser crítico em relação aos resultados e a ter uma expectativa em relação aos mesmos; Educadores que nos ajudam a pensar e a não ter medo de errar, vendo nos erros oportunidades; Educadores que nos ajuda a perceber o porquê das coisas, valorizando o sentido do número, bem como o sentido da palavra; Educadores que ajudam a desenvolver as capacidades, as atitudes e os conhecimentos, percebendo que, sem uma base teórica sólida, nomeadamente de Matemática, tudo fica mais difícil. Educadores que percebem que a Matemática estimula mais o lado esquerdo do cérebro, mas que, quando bem ensinada, estimula também o lado direito, permitindo chegar a soluções mais criativas.

Uma escola moderna prepara assim os seus Educadores – professores, pais, … – para os desafios do novo século – criatividade, raciocínio critico, capacidade de resolução de problemas, autonomia, resiliência, liderança, iniciativa, capacidade de comunicação oral e escrita, curiosidade e imaginação – utilizando, por exemplo, a Matemática como ferramenta e não como disciplina do século XIX.

Deixemo-nos, pois, de ilusões de que uma “escola moderna” aparece de um dia para o outro e que basta ensinar os estudantes a fazer apresentações em “powerpoint” sem olhar para a qualidade do conteúdo que lá está. Na Educação não há atalhos. O nosso cérebro não permite essas “modernices”. Mas exige evolução e por isso a escola tem de se modernizar, mas…not so fast!